Na RAI 3 Estreia televisiva de Roberto Saviano vista por 7,6 milhões

Jun­tar o cómico ital­iano Roberto Benigni com o escritor perseguido pela mafia Roberto Saviano parece ser a receita mág­ica para garan­tir um sucesso de audiên­cia. Saviano aproveitou mesmo o pro­grama para inter­pelar o chefe da Camorra.

Ph. © Alessan­dro Garofalo

Foi o que acon­te­ceu segunda-feira à noite na RAI 3, um dos canais públi­cos da tele­visão ital­iana, na estreia de Saviano como apre­sen­ta­dor do pro­grama Vieni via con me. A emis­são teve 7,6 mil­hões de espec­ta­dores, noti­cia o “El País”.

Segundo o cor­re­spon­dente do diário espan­hol em Roma, Benigni ofer­e­ceu “meia hora grátis de sátira feroz sobre [o primeiro-ministro] Sílvio Berlus­coni”. Um dos momen­tos mais fortes da noite terá sido quando Beg­nini usou as câmaras para se diri­gir direc­ta­mente a Francesco Schi­avone, con­hecido como San­dokan, chefe da Camorra, a orga­ni­za­ção que man­tém Saviano sob ameaça de morte, e fazer-lhe um aviso: “Quando um homem com uma pis­tola encon­tra um homem com uma caneta, o que leva a pis­tola é um homem morto.”

O pro­grama, con­duzido pelo apre­sen­ta­dor tele­vi­sivo Fábio Fazio e por Saviano, teve 25,4 por cento de share de audiên­cia, tornando-se o mais visto da RAI 3 nos últi­mos dez anos. Saviano, de 30 anos, que se tornou céle­bre com o livro “Gomorra” (mais tarde adap­tado ao cin­ema), e que desde então vive sob a ameaça de morte da mafia, afir­mou que “a democ­ra­cia ital­iana está em perigo”.

Os dois apre­sen­ta­dores tin­ham acu­sado a RAI de estar a colo­car entraves ao pro­grama e a direcção da tele­visão defendeu-se argu­men­tando que Beg­nini e o mae­stro Clau­dio Abbado, o outro con­vi­dado do pro­grama, tin­ham pedido demasi­ado din­heiro para par­tic­i­par. Per­ante esta resposta ambos decidi­ram pre­scindir de qual­quer pagamento.

A pre­sença de Abbado, relata ainda o “El País”, serviu para falar dos cortes feitos pelo Gov­erno de Berlus­coni ao sec­tor cul­tural. Em pano de fundo, o pro­grama apre­sen­tava uma imagem das ruí­nas de Pom­peia, onde este fim-de-semana uma antiga casa usada pelos glad­i­adores sofreu uma der­ro­cada, num aci­dente que o Pres­i­dente Gior­gio Napoli­tano con­siderou “uma des­graça para a Itália” e que fez sur­gir a ideia de pri­va­ti­zar as famosas ruí­nas vulcânicas.