Italy’s most prominent anti-mafia campaigner has appeared in court to sue the mobsters who ordered his death.
In a high security Naples courtroom Roberto Saviano, the writer whose print expose ‘Gomorrah’ and the eponymous hit film it spawned made him a household name, finally looked his enemies in eyes – six years after he was forced into hiding.
Mr Saviano confronted Camorra bosses Francesco Bidognetti and Antonio Iovine via video link as he began the process of suing them – and two of their lawyers, Michele Santonastaso and Carmine D’Aniello – for threats and defamation, which he says came in an 2008 appeal hearing.
Through one of his lawyers, Bidognetti called Mr Saviano “one of the prosecution’s people for hire”. The convictions of the bosses were confirmed in 2010 along with other members of the Camorra’s Casalesi clan, some in absentia – the last of whom, Michele Zagaria, was found in an underground bunker beneath his home north of Naples exactly a year ago.
All are currently serving life-sentences in solitary confinement in prisons hundreds of miles from Naples.
The ruthless Casalesi clan came to the world’s attention following Mr Saviano’s book that revealed how it made hundreds of millions of euros each year by illegally dumping waste – much of it toxic, in addition to extortion rackets, drug trafficking, smuggling of illegal migrants and arms.
Today, magistrates said Bidognetti had caused massive environmental damage after a company he controlled dumped toxic materials in the 1980 and 1990s in an illegal site near Naples. They said the dumping of more than 800,000 tons of refuse – in large part toxic – produced by companies in northern Italy, meant even water supplies had become poisoned. Cancer rates in the region north of Naples are known to be much higher than elsewhere in the country.
Prominent figures including former opposition leader Walter Veltroni and the editor of La Repubblica newspaper Ezio Mauro, expected to testify on behalf of Mr Saviano. Another journalist, Rosaria Capacchione, of Il Mattino newspaper, is also suing Bidognetti and Iovine.
From the courtroom, Mr Saviano tweeted: “The trial of the Casalesi bosses and their lawyers accused of threatening me is starting. I’ll look them in the eye.”
But later he noted that the mobsters were unlikely to return the stare let alone mention his name. “Their culture commands them not to acknowledge me or pronounce my name; from their point of view that would be handing me a gift,” he said.
The news came as the trial of a minister in the last government of Silvio Berlusconi continued in Naples.
MP Nicola Cosentino, a former economy undersecretary and the PDL co-ordinator for Campania, (the region around Naples) is accused of helping the Casalesi clan, with some members of whom he is distantly related. He denies the charges.
In an open letter earlier this year, Mr Saviano accused Mr Cosentino, however, of having been at the heart of a system that bought votes with favours and “destroyed a whole territory”.
Mr Saviano today said the Silvio Berlusconi’s decision to run for premier again was “disastrous news” for those fighting organised crime. He said the ability to buy votes “for €20 each” was a factor in ex-premier decision to run for a fourth term in the upcoming general national elections.
“Berlusconi’s return is partly founded on the fact that a part of the vote in Italy can be bought,” Saviano told a radio show.
Lunedì 5 novembre Roberto Saviano sarà a “Che Tempo che Fa del Lunedì” con Fabio Fazio. Tra gli ospiti: Susanna Camusso, Bice e Carla Biagi, Stefano Birotti, Neri Marcorè, Paolo Rossi e Massimo Gramellini.
Questa sera Roberto Saviano sarà con Fabio Fazio a “Che Tempo Che fa del Lunedì”. Gli altri ospiti della serata saranno David Grossman, Nichi Vendola, Paolo Rossi, Massimo Gramellini.
Alle 21,05 su Rai 3.
Sarà possibile seguire la diretta streaming a questo link.
MORRIS KACHANI
DE SÃO PAULO
Desde 2006, pelo menos 14 policiais com dois carros blindados à disposição se alternam 24 horas por dia na escolta do escritor e jornalista italiano Roberto Saviano, 33.
Jurado de morte pela máfia, Saviano dorme em hotéis e apartamentos alugados, nunca por mais de um mês. “Não consigo imaginar meu futuro. Gostaria de ter uma vida normal, com um pouco de liberdade”, afirma o autor, que não é casado nem tem filhos.
Ele se diz “às vezes” arrependido de ter escrito “Gomorra”, o livro-reportagem sobre a extensão do poder das organizações criminosas que o tornou internacionalmente conhecido em 2006.
Agora, a Companhia das Letras está lançando seu mais recente livro, “A Máquina da Lama”. A obra é inspirada em um programa que foi apresentado pelo próprio Saviano na TV estatal italiana, em 2010, e que chegou a uma audiência de 10 milhões de pessoas, tendo até mesmo desbancado uma partida entre Inter de Milão e Barcelona.
“Vieni Via con Me” (vem embora comigo), título do programa, escancarou as mazelas do país. Dos empreendimentos imobiliários da máfia calabresa em Milão aos lucros da Camorra e o interesse na manutenção da crise do lixo em Napóles (que já dura duas décadas).
Um programa de TV com essas características não poderia passar incólume pelas pressões políticas, que foram encabeçadas por Silvio Berlusconi, então premiê da Itália, e logo se transformariam em censura, até que saísse do ar, mas não sem deixar um rastro de polêmicas.
Saviano se transformou em um ícone da luta contra as organizações criminosas, assinando periodicamente artigos em publicações como “The New York Times”, o espanhol “El País”, e o italiano “La Repubblica”.
O tom de denúncia e indignação que sempre predominou em seu discurso continua, mas agora acompanhado de uma certa melancolia, como se pode observar na entrevista a seguir, concedida à Folha por e-mail.
*
Folha – Qual é sua impressão do Brasil?
Roberto Saviano – O Brasil está vivendo um momento incrível. De ex-colônia passou a esperança para colonizadores e colonizados: para Portugal, Angola, Moçambique. É uma país extremamente complexo, que conjuga modernidade e kitsch, reformas sociais e crescimento e que está se tornando central para a história do mundo, um parceiro privilegiado da Europa. Tenho certeza de que sairá do Brasil um novo caminho virtuoso, que contaminará os países em crises. A Itália de hoje sonha com o que está ocorrendo no Brasil, isto é, brasileiros que emigraram voltando a sua terra para nela investir, porque acreditam no curso das reformas que vêm se dando.
Que laços há entre a Máfia e facções criminosas no Brasil?
O Brasil –como a Itália– paga um preço altíssimo ao narcotráfico. Os grandes carregamentos de cocaína (produzida na maior parte na Colômbia) passam pelo Brasil e isso equivale a dizer que a bolsa da coca está em suas mãos, isto é, é no Brasil que se decide o preço do pó. A mercadoria sai em navios para a África Ocidental, chegando à Espanha ou a Portugal. Em outros casos, vai do Brasil diretamente para a Itália, para o porto de Gioia Tauro, na Calábria. E isso é prova evidente dos laços entre as organizações brasileiras e a “‘Ndragheta” [equivalente calabresa da Máfia].
Também a Camorra, da Campanha [região de Nápoles], sempre teve laços com facções brasileiras. Basta pensar que Antonio Bardellino, chefe do clã dos “casalesi”, chefe da organização criminosa “dona” do território em que nasci e cresci e que me ameaçou de morte, foi morto no Brasil, em 1988. No Rio de Janeiro, na casa em Búzios que ao que parece dividia com Tommaso Buscetta, o “chefe dos dois mundos”, ligado à Cosa Nostra e preso em São Paulo.
Como e por que o sr. se interessou pelo tema da Máfia?
Nascer, crescer, estudar –em uma palavra, viver em uma terra onde a criminalidade pode tudo, tem laços com política e economia, decide a vida e a morte das pessoas impõe uma tomada de consciência. Nascer no sul da Itália significa se perguntar constantemente que lado assumir, como reagir, o que fazer. Não dá para ficar indiferente. No sul todos, diariamente, tomam um partido.
É possível estabelecer um vínculo entre a crise financeira global e o crime organizado?
As organizações criminosas têm em mãos uma liquidez enorme proveniente do narcotráfico e, num momento em que isso é exatamente o que falta, fica fácil de entender qual é o vulto de seu poder de aquisição. Se as organizações não são diretamente responsáveis pela crise econômica, é certo que agora elas estão entre os principais atores e, quando houvermos saído da crise, as economias nacionais de muitos países, entre os quais a Grécia, a Espanha e a Itália, serão economias totalmente infiltradas por capital criminoso. E esse problema, por incrível que pareça, não é visto como prioridade.
Como se estrutura e que métodos aplicam hoje as máfias, em relação aos de seu passado?
As organizações têm negócios em todos os lugares possíveis. Usufruem de cada novo canal, de cada tendência, se aproveitam de cada falha do sistema. A estrutura e os métodos não mudaram muito; seria um erro deixar de lado regras atávicas que determinam a manutenção das hierarquias e a possibilidade de gerir organizações tão ramificadas. A força das organizações reside em sua capacidade de aplicar estruturas e métodos do passado a novos âmbitos de investimento.
Como o sr. explica o fenômeno Berlusconi e qual é sua opinião sobre o atual governo italiano?
Sobre o fenômeno, ou melhor dizendo, as duas décadas de Berlusconi, sobram interpretações. Há 20 anos tentamos entender como é possível que ele sempre consiga governar e, depois de mil justificativas, depois de ter tido expostos seus vícios e fraquezas, nas eleições seguintes seu partido consegue novamente a maioria. As explicações são muitas. Em primeiro lugar, Silvio Berlusconi dispõe de potência midiática: TVs, semanais, primeiras páginas de jornais, que lhe permitiram campanhas eleitorais incrivelmente incisivas.
Além disso, por anos personificou o ideal de “self-made man”, que conseguiu tudo por mérito, força e empreendedorismo próprios. Na percepção pública, mesmo se cometeu atos ilícitos, o fez com astúcia, servindo-se das brechas de nosso sistema. “Quem não teria feito igual”, justificam. E assim ele conseguiu erguer um império imobiliário e midiático. Há muitíssimas lendas sobre ele. E aqueles que poderiam tentar vencê-lo não conseguiram apresentar programas convincentes, não conseguiram conquistar o eleitorado de esquerda, não conseguiram restabelecer o front hoje baldio do comunismo.
O governo atual, por outro lado, era necessário para recuperar a credibilidade internacional da Itália, mas, depois de quase um ano, avaliando-o quanto ao aspecto das organizações criminosas –porque, como já disse, a capacidade dessas organizações de se infiltrar por completo no âmbito econômico durante a crise é exponencial– digo que, como o precedente, esse governo conhece somente o lado repressor e não ataca nem minimamente o aspecto econômico e fundamental dessas organizações.
O sr. acha que a opinião pública está mais consciente hoje de que a Máfia é um mal?
Se não há homicídios, a presença da máfia em organizações criminais passa, em muitas zonas da Itália, despercebida. Quando fazia “Vieni Via con Me” [algo como "vem comigo"], falei das máfias do norte da Itália, e quem ouvia não acreditava, apesar de que haviam investigações comprovando o que eu contava. O então ministro do Interior, Roberto Maroni, que é da Lega Nord [partido que reúne separatistas do norte italiano], disse que iria ao programa ler a lista de todos os presos nos últimos tempos.
O que até hoje não ficou claro é que a ala militar não existe sem a ala econômica dos clãs. As prisões de pouco servem: a hidra tem nove cabeças, e se você corta uma, no lugar logo nasce outra. É preciso dotar nosso sistema econômico de anticorpos para impedir que as organizações criminosas se infiltrem em tudo, da coleta de detritos até o transporte rodoviário.
Quanto da cultura italiana se liga às máfias?
A cultura mafiosa compõe somente uma parte da tradição italiana. Não a chamaria nem mesmo cultura, diria mais uma atitude tradicional de apego –à terra, aos bens, à virgindade, os valores familiares, as hierarquias familiares. E tudo isso, soa estranho dizer, se liga estreitamente ao turbocapitalismo. Então há, de um lado, o culto à virgindade, à propriedade, à terra e a regras quase medievais; e, de outro, investimentos financeiros e vanguarda econômica. A união desses dois ingredientes é que faz o DNA extremamente forte e dominante das máfias.
Qual é sua opinião sobre filmes e séries como “O Poderoso Chefão” e “Família Soprano”?
São produtos muito diferentes entre si. “O Poderoso Chefão” cunhou um imaginário de certa forma épico. Prova disso é que os mafiosos –eu contei isso em “Gomorra”– imitam cenas do filme em seu cotidiano e mandam construir casas inspiradas na de Tony Montana. “Família Soprano”, por sua vez, vai no sentido oposto e tenta mostrar a normalidade da vida de um “capo”. O lado brutal, criminoso, mas também o dia a dia, às vezes ridículo, feito de pequenos grandes dramas, de sessões de análise, de cabeleireiros, de problemas com os filhos adolescentes.
Talvez essa possa ser uma maneira de desconstruir um imaginário. Mas “O Poderoso Chefão” e “Família Soprano” são filhos de épocas distintas e acho que, tudo somado, se dirigem a públicos diferentes.
O sr. acha que a Máfia pode ser vencida?
O juiz Giovanni Falcone, morto em um atentado mafioso na Sicília, em 1992, dizia: “A Máfia é um fenômeno humano e, como todos os fenômenos humanos, tem um princípio, uma evolução própria e terá, portanto, um fim”. Eu espero com todas as minhas forças que sim; mas, sem uma mudança radical na nossa ordem econômica, não será possível.
O seu programa de TV sofreu censura?
A pior das censuras, a mais subterrânea, a mais sub-reptícia: os contratos com os patrocinadores não se firmavam, o estúdio era pequeno e isolado. Variava o número de blocos, uma hora quatro, outra três, outra dois. Em suma, o clima era de total e constante incerteza. Uma forma incrivelmente astuta de fazer desandar o programa e poder dizer: “Viram? O que vocês têm a dizer não interessa, ninguém quer saber”.
O que o sr. acha da profissão de repórter, num momento em que a internet é crucial para o mundo da informação?
A internet e as agências de notícias facilitaram muito o trabalho tradicional do repórter, modificaram-no de forma profunda, não necessariamente para o mal, como alguns sustentam. O jornalista tem agora uma terfa mais árdua, mas mais estimulante: reunir as peças de um quebra-cabeças que estão espalhadas à vista de todos. Tudo está à mão, mas não tudo é inteligível. Às vezes certas partes escapam; em outras, não é possível relacionar certos fatos. É isso: o repórter agora não é instado a encontrar a informação em primeira mão, mas também (e sobretudo) a reelaborá-la, a explicá-la.
Que impressões o sr. guarda da experiência de fazer um programa de TV?
Chegar a milhões de pessoas é, sem dúvida, uma experiência incrível, que causa uma vertigem que não se experimenta de outra forma. Saber que 12 milhões de pessoas estão vendo você tira seu fôlego, bloqueia, turva a vista. É inacreditável. Isso é o bom e o ruim ao mesmo tempo. Repetir um sucesso fenomenal é impossível. Então existe o risco de, depois dessa vertigem, ficarmos paralisados.
Por sorte, não foi o que aconteceu conosco. O programa foi ao ar por um canal diferente –menor, com menos recursos– em maio passado e continuou a ser um sucesso. Isso deixou claro, para nós, que o que conta não é o canal, mas a mensagem. A mensagem que tentamos passar, de novo, foi: as palavras são importantes; é preciso refletir sobre cada uma delas. É importante olhar além das fronteiras do nosso país, mas é fundamental conhecer e entender aquilo que acontece em países distantes que se ligam ao nosso por relações econômicas que se estreitarão mais e mais.
Por isso interessa recordar o que houve em 2004 na escola de Beslan, na Rússia [onde crianças foram mortas por terroristas tchetchenos], como se vive nos “laogai” chineses, que são campos de concentração modernos. Pensamos que a atualidade imediata, feita de spreads e de agências de classificação de risco, pode dar lugar à compreensão do que nos circunda. E esse pensamento foi reconhecido uma vez mais pelos espectadores.
Quais são os livros e pessoas que o sr. admira e por quê?
Seria uma longa lista e ainda assim esqueceria alguém. Mas eu quero recordar Christian Poveda. Eu o conheci porque firmou um abaixo-assinado em solidariedade a mim. Foi morto em 2 de setembro de 2009 em El Salvador por causa do documentário “La Vida Loca”, uma obra-prima sobre as maras [quadrilhas salvadorenhas]. Meu pensamento está com ele.
Quais são seus próximos projetos?
Estou escrevendo um novo livro e tenho muitos projetos para TV. Na Itália, claro, mas também no exterior –espero chegar à Espanha e à Alemanha, onde se dá muita atenção ao tema das organizações criminosas.
Como o sr. se descreve?
Como alguém em busca de uma vida normal. De um pouco de liberdade.
Como é seu cotidiano?
Vivo uma vida totalmente anômala. Alterno períodos de completa solidão e isolamento e outros de máxima visibilidade, quando estou na TV ou participo de eventos públicos. Isso faz a minha vida ser completamente esquizofrênica. Tenho uma escolta de sete policiais militares quando saio e faço aparições públicas. Nos percursos cotidianos, são cinco. Uso dois carros blindados.
A sua situação é comparável à do escritor Salman Rushdie?
Rushdie foi ameaçado de morte simplesmente por ter escrito “Os Versos Satânicos”. A minha situação é diferente. Se “Gomorra” tivesse ficado restrito àqueles ligados aos fatos, alguns colegas jornalistas, um ou outro advogado ou juiz e alguns fanáticos por temas de crime organizado, a Camorra não teria se sentido ameaçada. O que assustou os criminosos foi o enorme número de leitores, seu interesse crescente pela dinâmica do crime. As pessoas queriam informação, tinham sede de saber. Isso fez com que os chefões se sentissem vulneráveis e daí vieram as ameaças.
O sr. se arrepende? Faria algo diferente?
Eu me arrependi mil vezes de ter escrito “Gomorra” e não outro livro, que poderia ter me dado uma vida de escritor, e não de perseguido.
Como o sr. vê “Gomorra” hoje?
Eu odiei o livro por muito tempo. Sabia que devia muito a ele, talvez até demais, mas às vezes eu gostaria de poder voltar atrás e nunca tê-lo escrito.
O sr. é casado, tem filhos? Como se vê daqui a dez anos?
Não consigo imaginar meu futuro. Gostaria de ter uma vida normal. Venho tentando e espero lentamente conseguir.
O que os seus pais pensam de seu trabalho?
É difícil saber o que opinam. Obviamente se orgulham de mim, mas meu trabalho transtornou a vida deles tanto quanto a minha. É meu maior remorso.
O sr. se sente melancólico, claustrofóbico? O que lhe faz falta?
Eu me sinto assim o tempo todo. Sinto falta do meu passado, da liberdade que perdi. Às vezes queria voltar ao verão de 2006, ano em que saiu “Gomorra”. Lancei o livro Itália afora, com uma mochila nas costas, passando noites em trens. As pessoas me esperavam para falar do meu livro, do estilo, do texto, queriam saber como eu tinha reunido tantas informações. Foi a melhor época da minha vida. Era um sonho que estava se tornando realidade: depois de tanto trabalho, o mundo cultural italiano se dava conta desse rapaz de 26 anos que tinha tanta vontade de escrever, de dividir ideias e experiências. Se eu pudesse, pararia o tempo ali.
«La Lega ha un profonda responsabilità del dilagare della ‘ndrangheta al Nord perché ha taciuto, anzi ha attaccato chiunque parlasse di legame tra economia settentrionale e criminalità organizzata!». Lo ha detto Roberto Saviano, che a Italia In Controluce su Radio 24 commenta tra l’altro l’arresto di Domenico Zambetti e l’inchiesta della Procura milanese che apre la crisi al Pirellone. «La Lega dovrebbe stare attenta – aggiunge lo scrittore – a fare certe dichiarazioni di estraneità perché prima della vicenda Belsito solo la parola interloquire spaventava i leghisti, li indignava».
AUDIO
‘Ndrangheta, Saviano Aa Radio24: la Lega al Nord ha taciuto
Secondo Saviano, «i militanti della Lega dovrebbero pretendere dai dirigenti un atteggiamento diverso e chiarezza. La Lega minaccia pronosticando elezioni ad aprile solo perché è un modo per riprendersi dagli scandali». L’autore di Gomorra dice anche che «questa inchiesta dimostra che c’è qualcosa di più pericoloso del potere militare delle organizzazioni criminali, dei meccanismi che riguardano lo scambio di voti, il potere delle infiltrazione negli appalti, le imprese nel settore dell’edilizia. È l’economia viva, la liquidità». Per Saviano, «questa inchiesta è solo l’inizio. La Lega continua a mentire, ad avere un atteggiamento ambiguo. Da un lato Salvini dichiara che la Lombardia è la regione che ha lavorato meglio ed è la più virtuosa. Ma si dimentica decine di inchieste che riguardano la criminalità organizzata nell’economia lombarda e soprattutto si dimentica di citare il tesoriere della Lega Belsito che con la ‘ndrangheta aveva fatto un affare che riguardava capitali, non vicinanza amicale o semplicemente politica».
Nikos Aliagas reçoit Roberto Saviano, sous protection policière depuis que sa tête a été mise à prix par la Mafia.
L’écrivain italien Roberto Saviano, auteur de Gomorra, publie chez Robert Laffont Le Combat continue.
Er wird von fünf Leibwächtern beschützt, schläft in Polizeikasernen: Seit sechs Jahren muss sich der Journalist Roberto Saviano vor der Mafia verstecken. Trotzdem fühlt er sich neuerdings frei wie nie. Im Interview erzählt er, wie ihn die Deutschen lehrten, sein Land zu lieben.

Roberto Saviano: "Früher kam Goethe, heute Touristen in weißen Socken" - Foto: Andreas Gebert dpa/lbn
SPIEGEL: Herr Saviano, vor gut einem Jahr haben Sie vor Millionen Fernsehzuschauern gesagt: Trotz Berlusconi bleibe ich in Italien, weil ich sehen will, was danach passiert. Wie lebt es sich heute im Italien des Mario Monti?
Saviano: Wir sind noch wie benommen, ohne Berlusconi fühlen wir uns etwas verloren. Sehen Sie, ich bin jetzt 32 Jahre alt, seit ich wählen darf, kenne ich nur diese ewig gleichen Politiker-Fratzen. Jetzt habe ich zum ersten Mal Hochachtung vor einer Regierung, obwohl es keine Wahl gab und die Politik gerade Pause macht. Monti ist wie ein Präsident aller Italiener, man kann mit ihm reden, so etwas ist neu für uns. Bei Berlusconi war es wie im Fußballstation, entweder man war Fan, oder man pfiff ihn aus. Kurzum: Ich spüre Anflüge von Freiheit, mir ist, als könne ich endlich atmen.
SPIEGEL: Aus dem Mund eines Italieners, der sich seit fast sechs Jahren vor der Mafia verstecken muss und von fünf Leibwächtern Tag und Nacht bewacht wird, klingt das Wort Freiheit seltsam.
Saviano: Ich hätte nie geglaubt, dass es so schnell gehen würde. Aber trotz aller Aufbruchstimmung bleibt Ratlosigkeit. Der russische Nobelpreisträger Alexander Solschenizyn hat einmal gesagt, wenn ein Land von korrupten Politikern regiert wird, würden Intellektuelle die Gegen-Regierung stellen. Nun sind wir wieder einfache Intellektuelle, was in Ordnung ginge, wäre Italien ein gesundes Land. Jetzt fühlen wir uns überflüssig und wissen doch, dass das, wofür der Name Berlusconi steht, noch lange nicht besiegt ist.
SPIEGEL: Im deutschen Vorwort Ihres neuen Buches* schreiben Sie, der Blick der Deutschen habe Ihnen geholfen, Italien zu lieben. Wie meinen Sie das?
Saviano: Wenn früher Goethe oder heute Touristen in weißen Socken meine Heimat besuchen, sehen sie die guten Seiten, das Menschliche, die Lebendigkeit, unseren Sinn für Schönheit. Als der Musiker John Coltrane einmal den Blues definieren sollte, sagte er: Der Blues ist das, was wir Schwarzen haben, anstelle der Freiheit. Das ist es, was ich meine: Italiener haben ein kaum funktionsfähiges Rechtssystem, wir sind nicht effizient. Aber wir machen das Beste daraus, mit Erfindergeist und Kreativität. Durch den Blick der Deutschen habe ich erst begriffen, dass man Liebe zu Italien erlernen kann.
SPIEGEL: Und wie reagieren Sie, wenn jetzt viele Deutsche angesichts des Unglücks der “Costa Concordia” alte Klischees bemühen: Das sinkende Schiff als Sinnbild für Italien, im Stich gelassen von einem eitlen, feigen Kapitän?
Saviano: Die europäische Finanzkrise verstärkt gewisse Ressentiments, das Klima wird hässlich, das macht mir Sorgen, ja. Auch in Italien gibt es neuerdings anti-deutsche Reflexe: Das Fernsehen zeigt Merkel mit Hitlerbärtchen, Komiker reißen Witze über den deutschen Besserwisser. Das kannte ich nicht mal von meinem Großvater, einem Juden, der im Konzentrationslager Dachau saß. Selbst der hat gesagt: Ich hasse Deutsche in Uniform, aber sobald sie mir zu Essen geben und mit mir lachen, wachsen sie mir ans Herz.
SPIEGEL: Stimmt es denn, ist Kapitän Schettino ein typischer Italiener?
Saviano: Er stammt wie ich von der neapolitanischen Küste, wie übrigens die meisten Kapitäne weltweit. Trotzdem verstehe ich, dass er zum Inbegriff des eitlen Italiens geworden ist, Berlusconi hat dieses Bild ja nachhaltig geprägt. Sie glauben nicht, wie vielen Schettinos ich schon begegnet bin: Lautstark gestikulierende Angeber ohne Verantwortung, die nur sich selbst lieben. Aber ich kenne auch die andere Seite, die der Mafiosi…
SPIEGEL: … schweigsame Männer, die ein Leben nach strengen Regeln führen?
Saviano: Genau, es ist das absolute Gegenteil von dem Bild, das die Welt von Italienern hat. Es klingt paradox, aber ausgerechnet im chaotischen Italien ist die Mafia eine der diszipliniertesten und zuverlässigsten Organisationen überhaupt. Zuerst prahlen Mafiosi noch mit ihren Heldentaten. Aber wenn sie Bosse sind, tauchen sie unter, opfern ihr Leben, verzichten auf Sex, auf Weihnachten mit der Familie und ordnen sich einem strengen System unter. Das macht sie so erfolgreich.
2. Teil: “Es wird nicht lange dauern, bis Berlusconi zurückkehrt”
SPIEGEL: In Ihrem neuen Buch träumen Sie von einem besseren Land ohne Mafia und Schattenwirtschaft. Wird es je dazu kommen?
Saviano: Wir sind noch weit entfernt von diesem anderen Italien. Gewiss, langsam setzt sich auch bei uns die Einsicht durch, dass nur der einen Job verdient, der auch in der Lage ist, ihn auszuüben. Montis Liberalisierungspläne sind dabei fundamental, sie öffnen einen Markt, der auf Vetternwirtschaft basierte. Seine Reformen haben uns den Glauben an die Institutionen zurückgegeben, das ist wichtig. Aber die Frage wird sein, ob uns nach Monti der Übergang zur echten Politik gelingt.
SPIEGEL: Was erwarten Sie?
Saviano: Ich traue der momentanen Ruhe nicht. Es wird nicht lange dauern, bis die alte Politiker-Kaste zurückkehrt, inklusive Berlusconi. Sie werden sagen, die Technokraten haben nichts zustande gebracht, lasst uns wieder ans Ruder. Ich halte mich von dieser Meute fern, obwohl sie mir alle möglichen Posten angeboten haben, Bürgermeister, Kandidat der Linken.
SPIEGEL: Woran liegt es, dass die Mafia zur Zeit kein politisches Thema ist?
Saviano: Niemand wagt sich derzeit an die Grundübel. Dabei ist das organisierte Verbrechen schon lange kein nationales, sondern ein europäisches Problem. Durch die Finanzkrise wird die Mafia erstarken, da bin ich sicher, die Korruption wird zunehmen und der Drogenhandel auch. Kokain ist die Droge der Krise, sie hält einen länger wach. Deswegen wäre auch eine europäische Anti-Mafia-Behörde in Brüssel so wichtig.
SPIEGEL: Das organisierte Verbrechen lässt sich also nur bekämpfen, wenn man es als Strukturproblem begreift?
Saviano: Exakt. Silvio Berlusconi hat 20 Jahre lang das schlechte Italien repräsentiert. Wir haben ihn gehasst, ja. Aber das Problem ist nicht Berlusconi, es wäre zu einfach, ihn für alles zum Sündenbock zu machen. Das Problem ist die Mentalität, sind Korruption, Steuerhinterziehung, Staatsfeindlichkeit und eine Politik, die diese Strukturen bedient.
SPIEGEL: Was also ist zu tun, was tun Sie?
Saviano: Ich bin wie besessen davon, den Italienern von den Zuständen in ihrem Land zu berichten. Ich will dabei mein Land nicht diffamieren, wie mir oft vorgeworfen wird. Ich entwerfe einen Traum von der Zukunft: Erzählen ist der erste Schritt des Handelns, Worte sind Taten, daran glaube ich fest.
SPIEGEL: Interessieren sich die Italiener noch für die Wahrheit über die Mafia?
Saviano: Machen Sie Witze? Bei meiner TV-Sendung “Vieni via con me” (Komm fort mit mir), auf die ja mein neues Buch zurückgeht, hatte ich bis zu elf Millionen Zuschauer, und weitere fünf Millionen im Internet, das war ein Rekord. Die Italiener konnten es nicht erwarten, mehr über die Verbindungen der Mafia mit der Lega Nord oder den Wahlbetrug in Kalabrien zu erfahren. Auch so etwas ist möglich in diesem Land: ein Wunder, das jetzt allerdings auf einem Privatkanal fortgesetzt wird.
SPIEGEL: Dabei klingen Ihre Geschichten über Wahlmanipulationen unglaublich…
Saviano: … nach tiefstem Mittelalter, ich weiß. Aber das Gegenteil ist der Fall. Stimmenkauf ist hoch aktuell, spätestens wenn Monti abdankt, wird es wieder losgehen. Die Camorra kauft zigtausende Wähler, das ist bekannt. Von der Druckerei bekommen die Gangster die Stimmzettel und füllen sie aus. Der Wähler tauscht sie dann in der Kabine aus, als Beweis reicht das Handyfoto des Zettels. Danach wird er mit 50 Euro entlohnt, mit einer Gefälligkeit oder mit einem Mini-Job. Diese Praktiken kennt jeder im Süden.
SPIEGEL: Vor sechs Jahren haben Sie den Weltbestseller “Gomorrha” über das Innenleben der Camorra veröffentlicht. Hat sich der Kampf gegen die Mafia seitdem verändert?
Saviano: Wir sind auf einem guten Weg. Viele vom Clan der Casalesi, von dem mein Buch hauptsächlich erzählte, sitzen heute hinter Gittern. Einer der letzten Bosse wurde im Dezember festgenommen. Nicht der Inhalt meines Buchs hat den Clan wütend gemacht, sondern die Auflage von vier Millionen.
SPIEGEL: Seither wird Ihr Leben bedroht?
Saviano: Leider ja, mein Leben verläuft nach Plan, jeder Schritt wird überwacht, meine Familie musste fort ziehen, jede zweite Nacht schlafe ich in einer anderen Polizeikaserne. Ich bin jetzt das Gewissen der Nation. Aber ich bin mir selbst unsympathisch geworden, der Preis für meinen Erfolg ist gigantisch.
SPIEGEL: Was vermissen Sie am meisten?
Saviano: Mein altes Leben, meine Vespa und Neapel. Es macht mich krank, dass ich niemandem mehr vertrauen kann. Beziehungen knüpft man während ausgelassener Abendessen, in Taxis, die man gemeinsam nimmt, auf Straßen, auf denen man redet. All das ist mir unmöglich. Bei öffentlichen Auftritten begafft man mich, danach geht’s weiter im gepanzerten Auto. Glauben Sie, so etwas hilft, einander kennenzulernen, sich vielleicht sogar zu verlieben?
SPIEGEL: Wie lange werden Sie noch so leben müssen?
Saviano: Ich weiß es nicht. Vielleicht hat Salman Rushdie recht, der sagte, entweder du befreist dich, oder du krepierst. Er fand, ich solle neue Themen suchen. So hat auch er es gemacht, weg vom Islam. Manchmal wünsche ich mir, ich könnte einfach nur Liebesgeschichten schreiben.
Das Interview führte Fiona Ehlers
No és el primer cop que ho diu, Roberto Saviano, que Espanya és refugi de les màfies, i ara que presenta el seu llibre, “Escapa’t amb mi”, ho torna a dir en una entrevista que li ha fet Vicenç Lozano. Lamenta, però, que es consideri un problema estranger – rus, búlgar o italià – i que per això les autoritats evitin enfrontar-s’hi.
Vìdeos
El periodista italiano Roberto Saviano sigue estando en el límite. En esa raya fronteriza donde se vive siempre en peligro escoltado por guardaespaldas. Estos días presenta en España «Vente conmigo» (Anagrama), un libro donde recoge los temas que ha tratado en el programa de televisión «Vieni via con me», un espacio de denuncia que pronto podría emitirse en España.
-¿Se siente como un intruso en los platós de televisión?
-Sí. Soy un intruso de la televisión y el teatro. Y espero serlo pronto en la televisión española. He tenido algunos contactos con productores.
-¿Cómo será ese proyecto?
-No puedo adelantar mucho, pero tengo ganas de contar historias en España. No sería un «Vente conmigo» español. Tendrá algo, pero vamos a esperar.
-¿Qué historias españolas le gustaría contar?
-Es un país del que, en muchos aspectos, se ha contado poco de su historia criminal. Tengo la impresión de que, como en Italia, es una nación que puede aportar una mirada diferente a América del Sur. Un político me contó que existía cierto temor sobre la llegada de México a España. Cuando hablamos de México, me refiero al dinero de los cárteles. Y eso me gustaría decirlo. Para ello, como es lógico, se requieren pruebas.
-Se ha vinculado a ETA con mafias y narcotráfico.
-Con este tema pasa algo curioso. Es una historia rara porque cuando se cuenta aquí causa estupor. Me dicen que están de acuerdo con lo que denuncio, pero que en lo de ETA me equivoco. Sin embargo, es un tema que he leído, por ejemplo, en la Fiscalía General de Calabria, donde aparece la participación de etarras en misiones de la ‘Ndrangheta. Hay dos capos, uno de una familia napolitana y otro en la zona de Génova, que están citados en la conexión con etarras. Debemos tener clara una cosa: los etarras no venden coca. No se puede olvidar que en los 80 hubo aquella lucha de los terroristas contra la heroína. En Italia no hay problemas cuando se habla de esto, tampoco en Francia, pero en España se dice que los etarras tienen una base moralista. En la última década han existido etarras narcotraficantes. Esto crea polémica. Hasta Rubalcaba dice que no hay pruebas. El problema es que si el Estado considera a ETA un tema político, lo puede tratar, pero si es un tema de narcos, no.
-¿Existen lazos de otras organizaciones terroristas con narcos?
-Hamas, organizaciones islamistas, talibanes, Hezbolá, las Farc tienen vínculo. Es lo que los nigerianos llaman «white oil», petróleo blanco. Las ideologías son la mayor pantalla para el narcotráfico. La verdad sobre el narcotráfico en Afganistán: cada bala de los talibanes está comprada con heroína.
-¿Hay relación entre estas organizaciones y la crisis financiera?
-Sí. En España la especulación inmobiliaria está ligada con el blanqueo de dinero, pero la política lo ignora. ¿Por qué la mafia no ha invertido en bonos basura o en Madoff? Tiene que ver con la liquidez, y la mafia tiene mucha. Anualmente, la mafia factura en Italia 1.600 millones de euros, con una liquidez de 60.000 millones.
-¿Cómo ve la situación de la mafia en España?
-España es una especie de Nueva York donde llegan georgianos, sicilianos, libaneses… Aquí se deciden cosas. No hay control. Se distribuye la coca por zonas, mientras que eslavos y nigerianos la reparten. Hay dinero negro en inversiones de gasolina. Alguna vez se encarcela a un ruso, pero la opinión pública no tiene conciencia. ¿Por qué? No matan policías o jueces. Eso sí, se sabe que los bingos son una fuente de blanqueo increíble.
-En una parte del libro, hace una lista de cosas imprescindibles. Sitúa en primer lugar la mozarella de búfala de Aversa o el gol de Maradona del 2-0 contra Inglaterra en el mundial deMéxico 86. En la octava posición está volver a casa. ¿Por qué?
-Porque Maradona es dios, aunque soy devoto de Messi. (Risas) En serio, sé que será complicado entenderlo, pero me moví por la razón. No fue algo instintivo.
EL HOMBRE BLINDADO
Roberto Saviano ha reflexionado y escrito en numerosas ocasiones sobre las consecuencias del éxito de «Gomorra» (Debate). También sobre el hecho de no poder hablar con libertad en un país como Italia, donde la mafia ejerce tanto poder. Pero él no se rinde y reconoce que se ha acostumbrado: «A fuerza de estar blindado, de estar rodeado durante todo el día de seguridad, ya no siento el peligro, pero eso no quiere decir que sea valiente. En todo caso, te llegas a ver como otra persona».
El napolitano Roberto Saviano (1979), azote de la camorra que vive bajo custodia desde la publicación del célebre trabajo de investigación Gomorra (2006), vuelve a la carga para denunciar las heridas abiertas de la sociedad italiana con Vente conmigo (Anagrama/Empúries). Obra que recoge los monólogos del exitoso programa homólogo que protagonizó en 2010 junto a Fabio Fazi en la Rai3.
Un amplio abanico de historias que van desde el coraje de gente honesta y sencilla como el cura Giacomo Panizza que se enfrentó desarmado a la temible ‘Ndrangheta calabresa o la lucha de Piergiorgio Welby por una muerte digna a la sempiterna crisis de los residuos en Nápoles, gestionados por la Camorra, o la tragedia anunciada del terremoto de L’Aquila. Historias incómodas que se transformaron en todo un fenómeno televisivo capaz de superar en audiencia a la Champions League o a Gran Hermano y que, de alguna manera anticiparon la caída de la era Berlusconi.
“La tele puede transformarse en un instrumento de resistencia. Y en mi caso, ese instrumento provocó mucho miedo al gobierno de Silvio Berlusconi, porque el programa no se dirigía sólo a un público de izquierda, sino a todo el espectro”, reconoce el escritor. “De algún modo fue el síntoma del fin de la cultura Berlusconi. Pero Berlusconi aún no ha sido derrotado, está en la nevera. Italia es hoy un país congelado, en el que está todo por hacer”, explica.
Lo cierto es que, además de desnudar la táctica de difamación o “máquina de fango” con el que desactiva la Mafia a todo aquel que intenta combatirla, Saviano dedica su último monólogo ‘Autorretrato de un capo’ a la responsabilidad española en la expansión del crimen organizado por el mundo. “Maurizio Prestieri ha hecho su toda su vida pública aquí, en Marbella y Barcelona. Andalucía y Cataluña son territorio de la camorra, así como Galicia lo es de la mafia rusa. La policía lo sabe, pero la opinión pública no tiene ni idea porque aquí no dejan crímenes de sangre”, explica. “Se lo considera un problema extranjero: ruso, búlgaro, italiano… Y no es así”, denuncia. “Todos los analistas coinciden en que la connivencia de ese empresariado mafioso ha dado como resultado la especulación inmobiliaria. España es un país fundamental en la lucha contra la mafia, y si no invierte en ello perderemos todos”, fustiga.






